sexta-feira, 25 de março de 2011

OS VAMPIROS - Parte 5


Os vivos e os mortos.


Todas as mágicas e encantamentos parecem dar vantagens aos vivos sobre os vampiros. À noite, único período em que estão ativos, podem ser contidos e reprimidos com a cruz, o alho, e durante o dia estarão inteiramente à mercê dos caçadores. Mas os vampiros tem outros poderes: aqueles que forem atacados por eles se erguerão do túmulo, como novos vampiros. Para cada vampiro destruído, vários outros são criados.

Ainda assim, não é apenas essa a forma de recrutamento de novos vampiros. Nos Bálcãs, acreditava-se que quem morre em pecado, sem a assistência da Igreja, retornará como um vampiro. Nessa categoria estão especificamente os suicidas e os excomungados. Por extensão, toda pessoa essencialmente maligna poderia tornar-se um vampiro: os que cometeram perjuro, os amaldiçoados pelos próprios pais, os praticantes de magia negra.

Esses voltariam porque estariam condenados a vagar pela eternidade, sem encontrar a paz. De acordo com lendas gregas, um homem assassinado, que não tenha sido redimido pela vingança, será um vampiro. E o mesmo acontecerá com quem não tenha um sepultamento cristão.

Na Romênia, por exemplo, a lenda diz que aqueles que foram lobisomens em vida serão vampiros depois da morte. Os gregos dizem que quem nasce no dia de natal corre o risco de se transformar em vampiro. Outra lenda romena: se um vampiro olhar para uma mulher grávida, seu filho será vampiro, a menos que um padre o abençoe para protegê-lo e eliminar o mal.

Toda a fascinação pela lenda dos vampiros pode ser, em parte, explicada: muitos escritores ligam a idéia da volta da cova com o fato comum de se cometer um engano e enterrar um vivo por morto. No passado, esse fato ocorreu constantemente. Até em São Paulo, durante a chamada "gripe espanhola", na época da Primeira Guerra Mundial. Muita gente apenas desmaiada pela gripe era juntada aos cadáveres e deixada nos cemitérios. Como eram muitos os mortos, não se dava conta dos enterros. E, pelo meio da noite, o doente, passado o estado cataléptico, erguia-se para voltar para casa. Nos séculos 16 e 17 muita gente morria de doenças desconhecidas, e algumas pessoas eram enterradas ainda vivas. E, ao se reabrir a cova, o corpo estava em posição mudada, ainda intacto. A crença no vampirismo tinha neste fato mais uma "prova" de reforço.


Fonte : Homem, mito & magia - Vol. II (Editora Três, 1974)

Veja também :

OS VAMPIROS - Parte 3
OS VAMPIROS - Parte 4

E aqui se encerra esta série de matérias sobre os vampiros. Espero que tenham gostado. Comentem!

3 comentários:

  1. Muito bacana a série de postagens. O que se vê é que o mito se liga muito mais a histórias criadas pela igreja católica a fim de agregar fiéis pelo medo... Ainda bem que isso não acontece mais (tanto) hoje em dia.

    Parabéns pelo site, te acompanho via RSS!

    ResponderExcluir
  2. Concordo, Tiago! Essa era uma das formas que a Igreja tinha de se integrar e ter credibilidade em uma cultura, colocando-se como única forma de defesa contra ameaças oriundas da superstição popular.
    Podemos ver isso aqui também, nas histórias sobre seres folclóricos como lobisomem, mula-sem-cabeça,etc...
    Obrigado por acompanhar o site! Grande abraço!

    ResponderExcluir
  3. Patricia lembra uma vamp...
    http://stevenbahia.multiply.com/photos/album/71/Patricia_Morrison_-_Sisters_of_Mercy

    ResponderExcluir