sexta-feira, 18 de março de 2011

OS VAMPIROS - Parte 4


Como matar um vampiro.

Algumas histórias antigas são bem explícitas quanto a isso. Teorias de clérigos do século 17 sugerem que o cadáver que se tornou vampiro é ativado diretamente por um demônio e não pelo espírito do próprio morto. Para conservar o vampiro na cova, único lugar onde ele pode descansar após as andanças noturnas, há vários métodos: os membros da tribo Quiriguono, da América do Sul, dizem que é preciso pregar o corpo com estiletes de madeira. Contos eslavos dizem que pregos de ferro na terra sobre o corpo o prenderão lá embaixo. Como a prata, o ferro tem poderes mágicos.

Na Europa, as lendas ainda acrescentam métodos que são comuns ao trabalho de assegurar a paz a espíritos inquietos: os de suicidas e criminosos executados. Eles os enterram sob a água corrente ou nas encruzilhadas. Por outra providência, conseguem o mesmo efeito: trespassam com uma estaca de madeira o coração do cadáver.

Em regiões onde a crença nos vampiros assumiu importância maior do que a nos espíritos, essas práticas são tidas como defesa contra os sugadores de sangue humano. Mas ainda há outros meios para destruir os vampiros: primeiro, contudo, é preciso capturá-los. Poucos vampiros eram tão gregários como Drácula, que convidava muita gente para ir ao seu castelo, onde a verdade era revelada de várias maneiras: sua ausência diurna, a falta de reflexo no espelho.

Se o vampiro aparecia em alguma região, os residentes iam examinar as covas, no cemitério, para constatar irregularidades. E procuravam especialmente os pequenos furos na terra, pelos quais o vampiro poderia ter escapado.

Se não havia sinais exteriores na cova, teriam que abrí-las todas para procurar o cadáver que não se decompusera. Ou utilizar o velho método húngaro: um cavalo branco, virgem, que nunca tropeçara, era levado ao cemitério. Ele se recusaria a pisar numa cova de vampiro.

Capturado, o monstro pode ser facilmente destruído: pode ser atingido com uma bala de prata, à noite, quando ativo. A bala ideal é a feita de um crucifixo derretido, e bento por um padre.

Encontrado o vampiro inativo durante o dia, o método mais seguro é atravessar-lhe o coração com uma estaca de madeira. As histórias recomendam usar madeira sagrada, de olmo ou espinheiro. Na Albânia, a lenda recomenda usar uma adaga benta, em forma de cruz. E um só golpe deve ser dado, ou a mágica falhará. Algumas vezes a purificação posterior pelo fogo é recomendável.


Fonte : Homem, mito & magia - Vol. II (Editora Três, 1974)

Veja também :

OS VAMPIROS - Parte 3

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